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"Santos Dumont e o Relógio de pulso"

Ao longo dos anos verificamos que existem diversas teorias sobre a criação do relógio de pulso. Especialmente neste caso, não cabe à ABRACORE fazer juízo de valor sobre qual seria a verdadeira, mas como órgão informativo consideramos importante que o leitor conheça as versões que são mais aceitas ao redor do mundo e faça a sua avaliação pessoal. Contudo a contribuição de Alberto Santos Dumont para que o relógio seja como o conhecemos hoje não é apenas história, mas um fato reconhecido no mundo todo.

Voltando no tempo sabemos que os relógios mecânicos apareceram a partir do século XIV, com o aperfeiçoamento da metalurgia, das técnicas de fabricação e descobrimento de novos materiais os relógios passaram a ser mais confiáveis e com o advento da invenção da mola em espiral a portabilidade dos relógios passou a ser uma realidade.

Até o século XVIII a grande maioria dos relógios portáteis era levado pendurado por uma corda ou corrente junto à roupa de seu portador, eram rústicos, do tamanho de uma bola de tênis e com apenas um ponteiro.

No século XIX, já muito mais preciso e compacto, o relógio era um acessório muito mais difundido e acessível a homens e mulheres, desde que dispostos a pagar uma quantia considerável. Os homens basicamente usavam relógios de bolso ligados por uma corrente aos casacos e coletes. No caso das mulheres o relógio era basicamente uma jóia. Finamente adornado com pedras e metais nobres era usado como pingente no colar ou com uma corrente no pulso. Historicamente, no ano de 1868, Patek Philippe (Antoine Norbert de Patek e Adrien Phillipe) foi a empresa que primeiro colocou uma pulseira em um relógio e o produziu exclusivamente para a Condessa Koscowicz da Hungria.Citar fontes. Era um bracelete com o relógio integrado à jóia.

Nos Estados Unidos e parte da Europa se acreditava que uma babá teria inventado o relógio de pulso prendendo seu relógio ao pulso com um lenço de seda em meados do século XIX. Esses relógios nada mais eram que versões menores dos relógios de bolso.

"A contribuição de Dumont"

Santos Dumont, morava na França desde 1892 quando iniciou seus estudos para desenvolver seu potencial, estudando matemática, física, eletricidade e mecânica em Paris.
Em 1898 se encantou com os balões e fez seu primeiro vôo num balão esférico, pertencente à firma Lachambre et Machuron. Saindo do Parque de Aerostação de Vaugirard em Paris e descendo nos terrenos do Chateau de La Ferrière, propriedade de Alphonse de Rotschild. Depois de dominar a fabricação dos balões foi que começou seus ensaios com os dirigíveis.

Reza a lenda que em 1904, enquanto comemorava a conquista do Prêmio Deutsch no restaurante Maxims, Santos Dumont reclamou a seu amigo pessoal Louis Cartier, da já famosa joalheria francesa Cartier, das dificuldades de checar sua performance durante o vôo e lhe pediu que pensasse uma solução que deixasse suas duas mãos livres para operar seus aparelhos durante o vôo. Façamos aqui um parêntesis:

Os dirigíveis de Dumont, sem exagero, eram balões de ar quente com uma leve armação de bambu que acomodavam um motor a gasolina rudimentar e um selim/guidão de bicicleta onde o piloto se apoiava. Imagine o leitor voar nesse aparelho a dezenas de metros do chão, à mercê dos ventos e tirar uma das mãos do guidão para pegar um relógio de bolso.

Cartier criou um relógio para uso no pulso esquerdo, tinha uma coroa para dar corda no lado direito da caixa, alças para fixação de uma pulseira que, por sua vez, se fechava ao pulso com uma fivela.

O modelo criado por Cartier se tornou a base de todos os relógios de pulso que surgiram a partir dessa data.

O prestígio de Santos Dumont da Europa como um todo era notório. Dumont nunca mais deixou de usar seu Cartier no pulso, sempre o usava em seus vôos, como na ocasião da quebra de seu recorde para o vôo de 220 metros atingidos em 21 segundos em 12 de novembro de 1907. Foi o início de uma nova tendência para o uso do relógio no caso dos homens. Seu relógio foi oficialmente colocado em exposição no Museu Aéreo de Paris em 20 de outubro de 1979, próximo ao “Demoiselle”, seu último avião construído.

Os jornais e revistas da época não só apenas comentavam suas invenções, mas também seu estilo de vida. Dumont estava sempre bem vestido, seus colarinhos altos e brancos (Também conhecidos como colarinhos Santos Dumont) sua capa de ópera forrada de seda viraram mania. O bracelete de ouro com a medalhinha de São Benedito (Presente da Princesa Isabel para resguardá-lo de outros acidentes) e o cinto leve e largo que ele usava sobre o colete, foram notados e copiados, assim como as botinas, as polainas, o cravo na lapela e o traje de motorista composto de boné, óculos de proteção e calções 3/4.

A primeira grande guerra (1914 a 1917) também contribuiu para a popularização do relógio de pulso na Europa. Os oficiais e soldados não demoraram a constatar as vantagens de carregar seus relógios no pulso durante a batalha ao invés de ter que puxá-los do bolso preso por uma corda ou corrente. Empresas contratadas pelo exército iniciaram a produção de relógios em massa para a infantaria e pilotos a fim de facilitar a sincronização dos ataques e tudo isso contribuiu para que o hábito de usar relógios de pulso entre os homens estivesse solidificado.

Fontes

- A loock in to the history of the watch.
- John P Stevens – EUA.
- Armbanduhren/Montres-bracelets – Gisbert L. Brunner – Germany – 1999 Könemann Verlagsgesellschaft mbH – ISBN 3-8290-0660-8.
- Cartier Web Site.
- Biblioteca da ABRACORE.
- Lucchini Restaurações – Fotos.

Texto – Mauro Lucchini